terça-feira, 24 de setembro de 2013

As dúvidas do passado.

Devia ter uns 10 anos! Quarta classe, último dia de escola. Não sabia, nem nunca tive a pequena ideia, das minhas qualidades como aluno. Não sabia se ia passar de ano, se não! Mas sabia que não queria ficar ali sem os outros todos. O mal seria ficar sozinho. Vinham-me à cabeça memórias estranhas. Na primária tínhamos aqueles exercícios de escrever uma palavra três vezes. Eu desatava a escrever tudo que via pela frente, incluindo as marcas de electrodomésticos pela casa fora. Resultado, a minha mãe foi chamada a escola porque eu estava a perder tempo a escrever coisas desnecessárias. Hoje imagino-me se nunca tivesse escrito Grundig ou Sony, se estaria a falar inglês tão fluente ou se a minha vida tinha sido direfente. No entanto a vontade de fazer tudo exactamente como um "robot" nunca me cativou. Fazia por fazer e como me apetecesse. Sei que nunca fiz nada para ter grandes resultados escolares. As coisas apareciam e faziam-se.
Naquele último dia resolvi fazer uma promessa. Atravessei a ponte em posição de flexões. Passei de ano. Até muito tempo depois não sabia se tinha sido pela promessa ou não.
Mas com o tempo tudo continuou, ou pelo menos o sentimento.
Nunca me preocupei em estudar semanas para um teste, a noite anterior chegava-me, mesmo quando não fazia ideia do que se falou nos três meses de aulas porque passava o tempo a sonhar com o meu mundo imaginário. 
Assim foi até no ensino universitário. Mas aí, por várias vezes, dedicava-me a estudar o que gostava, ou simplesmente para contrariar o "professor mauzão" que dava más notas ou chumbava toda a gente. Esses davam-me "pica" explorar. Mas assim foi e nunca me vi como merecedor do que quer que seja, pois raramente fiz por ele. Agora, 4 anos e meio após esta aventura radical de um doutoramento Sueco, continuo a pensar: Terei eu mesmo conseguido fazer isto tudo? Terei eu merecido isto? Fiz o suficiente para superar as minhas expectativas? 

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